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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

QUE DOLOROSA CASA


Que dolorosa casa é esta a minha

Um leito que te recebe óh morte

Dos meus, com os teus sonhos intactos.

Resina no tecto do orvalho na ponta do gume

No regresso de uma furiosa adolescência

Onde a morte se fundirá com os sonhos

Arado de estevas do espinho de uma rosa

Hei-de abrir os meus olhos às lágrimas

Que deixaram a morte sem o primeiro aviso

Embalar a brisa do outro lado do mundo

Como um caçador que na volta do caminho

Reconhece o seu rasto no trilho de pedras

Pertence à geografia, ao lume, ao fogo, sem destino

Que dolorosa casa é esta a minha que te recebe óh morte

Dos meus, dos teus sonhos intactos

De uma furiosa adolescência!


Isabel Morais Ribeiro Fonseca