Loading

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

OBSERVO A CHUVA


Observo a chuva miudinha

Que escorre, cai dos meus olhos

Lágrimas de dor, de alegria, de amor

As gotas tecem as palavras

Que a minha alma sente

Tecem e sente espontaneamente

Embalo as letras, embalo as palavras

Embalo a minha dor

Tentando compor versos ou talvez poemas

Poemas tantas vezes ausentes de mim

Ausentes do meu corpo

Palavras onde resmungam na minha boca

Há dias que as palavras escorrem

Escorrem para o papel

Escritas num telhado de telhas de barro

Escrita de sonhos em forma de rimas

Tantas vezes a inspiração adormece

Adormecemos num sono leve

E as letras descansam no papel

Talvez queiram ser apenas observadas

Ou apreciadas no pensamento do nosso silêncio

Entre o sal do mar entre os grãos de areia

Que escorregam na chuva tão nossa ou não.



Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Foto