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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

NÃO LEVES A MAL

Não leves a mal a minha frieza

Que eu ponho nos meus beijos

Abraços que tento dar-te, mas

Não consigo olhar-te nos olhos

Não é cansaço, nem tédio, eu sei

É apenas dor que sinto no meu

Peito, no meu corpo já sofrido

Sinto-me longe de ti, como o tempo

Chuvoso lá fora, lágrimas do rio

Nas veias que correm o sangue

Marés de saliva que cospe o fogo

Desta maldita insónia que interrompe

O sono de quem habita longe

Nas areias onde vive a minha alma

Nocturna, orvalhada, chuvosa noite

Solidão nos dias cruéis que eu sinto

Querer ser tua, amar-te loucamente

Morrer nos teus braços de desejo

Mas apenas sou um corpo magoado

Destas palavras tristes que te escrevo

Amor não leves a mal a minha frieza

É apenas cansaço, ou tédio, eu sei.



Isabel Morais Ribeiro Fonseca

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