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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

DESBOTO PALAVRAS


Desboto palavras em linhas direitas

Com os meus dedos de tintas tortas

Ilegíveis de uma inquieta sombra

Que vaga numa repugnante noite 

Esventra uma alma entre as fragas 

Um pobre surdo coração pela fria serra 

Abandona o sangue que escorre nas pedras

Líquidos esquecidos pelas avalanches 

Que a vida tantas vezes dá

Nos gritos suspensos guardados na memória

De um amor lido soterrado no peito

Num desbotar de tantas linhas numa pagina em sentimento

Por entre os livros escritos num crepúsculo luar  

Palavras desbotadas lidas na escuridão de uma alma.