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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

CANTOS DA MINHA ALMA

Este grito que vem das minhas entranhas

Traduz em mim, numa dor tão grande

Alma em suspiros reprimida no peito

Desabafa a saudade em querer viver

Piso a antiga calçada de frias fragas

Com os pés descalços, num caminho

Que é longo, com os anos passados

No eco das frágeis asas com que voa

Já sem força e talvez já sem vontade

Tempo perdido no inverno que é frio

Na própria sombra onde olhamos sem

Conseguirmos sequer olhar para ver

Este mundo infernal que se está a tornar

Entre caminhos solitários que nos leva

De volta à loucura consumada de qualquer

Amor, tempo de diferentes caminhos

De noite já cansada nos cantos de casa

Procuro um ninho para os desejos da alma

Afogada nas lágrimas, balança na imensidão

Procurando nos cantos da minha pobre alma

Os que vivem nas sombras dos que eu já amei.


Isabel Morais Ribeiro Fonseca



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