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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

CALÇADA



Aqui estou, aqui me vejo

Num túnel mal iluminado

Esquecida ou encontrada

No meio de tudo, de nada


O corpo flutua e já dorme

Numa vida tão mal contada

Balançando no inexpressivo

Num velho, perdido combate


Sou a bússola na imensidão

Do meu próprio pensamento

Onde os ponteiros do relógio

Não encontram já o caminho


Ao longe o olhar não avista

Num passado num presente

Onde a mente pisa os seixos

Calça já as pedras da calçada.


Isabel Morais Ribeiro Fonseca