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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

ANOITECE DEVAGAR

Anoitece devagar esta noite já tão longa

Sobre os meus ombros onde não estou

Em redor do teu corpo vejo-te a dormir

A penumbra invade a nossa velha cama

Corroendo tudo que é da própria solidão

Ela vergava-me, com o passar do tempo

Escrevo-te nesta noite, sinto um arrepio

Vertigem que enche o coração de pavor

Povoei-a com sorrisos e muitas saudades

Aderiram à memória com pequenos gestos

Onde vivo e pressinto o coração a arder

Anoitece e estás constantemente presente

Vibras sob a luminosidade imperceptível

O teu corpo vive hoje dentro do espelho

Uma sombra reflectida onde se perdeu o meu.

Se morresse agora não deixava nada ser eterno

Bebia toda a minha sede, devoraria as noites amargas.


Isabel Morais Ribeiro Fonseca

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